sábado, 24 de abril de 2010

Riacho de Santana, 22/04/2010 20:55 hs


Eu sei... Eu sei... Já entendi! Eu sei de tudo isso!
O ideal seria se eu pudesse escrever só quando desejo, sem a pretensão de escrever para agradar alguém: Fulano ou Sicrano.
Bem que, se formos observar o mundo, o sistema que somos obrigados a seguir perceberemos que estamos rodeados de "determinações" sociais (alguns conhecem por convenções) para agradar um alguém. Sempre estamos fazendo algo por alguém. Qual o sentido da gentileza?! elogiar alguém para agradá-lo. Deixá-lo engrandecido, envaidecido, feliz por ser reconhecido em suas qualidades.
Tudo bem! Não me entenda mal...elogios são uma ma-ra-vi-lha!!! Alguns, inclusive, até são sinceros...Mas, mesmo assim, você tende a direcioná-los para alguém, ou seja, estás a fazer algo para agradar alguém.
Os autoelogios também são para um outro, pois, a imagem que reflete no espelho é uma construção do que esperam de como você seja. "Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim." (Álvaro de Campos - heterônimo de Fernando Pessoa).
Então, você está feliz como é?! ÓTIMO!! Mas, você, querendo ou não, é uma construção da sociedade. Eu sou, porque você não seria?!
Como assim? Não me entende?! Pare e reflita! Ou melhor, pare e entre num mar de perguntas, incessantes, inúmeras, pertubadoras...e, então você poderá compreender o mundo, o sistema em que estamos e aí das duas alternativas você vai seguir; ou se torna um revolucionário aloucado e frustrado, ou se adapta a este mundo fazendo vez por outra uma ou duas revoluções nem que sejam umas perguntinhas de vez em quando ou um bilhetinho como esse.

Abraços apertadíssimos... Aguardo resposta... Conversar com você é sempre um grande prazer!!!

segunda-feira, 19 de abril de 2010




AMADO, Jorge. Gabriela, cravo e canela. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

Lindiane Cardoso
UNEB - Campus VI

Jorge Amado, conceituado autor baiano, nasceu em Ferradas, distrito de Itabuna no ano de 1912. Filho de um coronel e uma distinta dona-de-casa estudou direito na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, sendo que seu despontamento para o mundo das letras tenha iniciado como jornalista no "Diário da Bahia". Grandioso escritor nato lança seu primeiro livro, "O País do Carnaval", no ano de 1931, mesmo ano de ingresso na faculdade entre os primeiros colocados. Conhece durante sua vida garndes nomes da literatura nacional e internacional, da música, arte e da política brasileira e internacional. Em 1958, após ser preso pela ditadura devido ao fato dos seus livros apresentarem "conteúdo subversivo", Jorge lança o magnífico "Gabriela, cravo e canela" traduzido em 32 línguas espalhadas no mundo inteiro.
O livro é uma crônica da cidade de Ilhéus em pleno desenvolvimento na época da explosão cacaueira, onde inúmeros fatos ocorrem como brigas políticas efervescentes, emboscadas de jagunços, calorosas discussões no bar Vesúvio e o inusitado amor de Gabriela pelo árabe Nacib. O texto de Jorge Amado é dividido em quatro capítulos longos intermediados por poesias destinadas aos personagens centrais dos capítulos.
O primeiro capítulo compõe o cenário de Ilhéus, a transformação da cidade do cacau a partir do aparecimento das primeiras lavouras do fruto, o crescimento econômico, a explosão populacional, o surgimento de espaços antes vistos somente nas capitais, a inovação abarcando a cidade do Sul Baiano e o choque dos costumes tradicionais com as novidades. E, por meio deste ambiente de mudanças conhecemos o "forasteiro" exportador Mundinho Falcão, vindo do Rio de Janeiro objetivando vender o cacau para cos comerciantes e a proveitando o local para esquecer uma paixão. Além disso, o exportador possui características de empreenderdor e assim, foi conduzido pelo desenvolvimneto de Ilhéus a se envolver com a política, causando uma revolução e brigas com o "dono da terra": Coronel Ramiro Bastos, um dos primeiros desbravadores de Ilhéus por quem a população mantinha intensa admiração e respeito servil.
No segundo momento da narrativa, eis que surge a mulata cor de canela e cheiro de cravo: Gabriela. Recrutada no "mercado de escravos" para trabalhar como conzinheira, a sertaneja não encanta a ninguém no primeiro instante, pois a poeira do caminho percorrido até Ilhéus escondia sua cor sedutora e seu cheiro envolvente. Contudo, a beleza da ingênua Gabriela não tarda a encantar, principalmente a população de senhores ilheenses.
O capítulo terceiro é o recorte em que Jorge Amado nos paresenta os primeiros atos ilícitos praticados em função da política local e os sentimentos confusos de Nacib em relação à Gabriela.: os ciúmes excessivos cada vez mais frequentes devido aos olhares e gracejos dos homens da cidade; o êxtase inesperado ao vê-la chegar arrastando as chinelas trazendo a marmita do almoço; os devaneios da "sesta" após almoçar a comida temperada por ela. Por tudo isso, o árabe, dono do bar Vesúvio, que não desejava ter esposa, resolve casar-se com Gabriela, apesar da condição dela de "cozinheira, mulata, sem família, sem cabaço e encontrada no mercado de escravos", sendo deste modo que Gabriela torna-se a Sra Saad.
Assim, no quarto capítulo encontramos compondo rol das senhoras ilheenses casadas, Gabriela Saad que começa a viver momentos bastante diferentes do seu real modo de viver. Os vestidos de chita foram trocados pelos de fazenda, a flor no cabelo pelas jóias, os chinelos pelos sapatos de salto, sua ida ao Vesúvio levar a marmita de Nacib fora proibida, bem como o trabalhos domésticos, uma vez que seu esposo contratara uma mocinha para desenvolver tal serviço deixando somente o tempero ser preparado por Gabriela.
Entretanto, o quarto e último capítulo não se resume a contar os infortúnios da Sra Saad, mas também os fatos políticos, as rusgas entre os candidatos à prefeitura de Ilhéus que resultaram em tentativa de assassinato; dos escafandristas que vieram trabalhar na barra para construir um porto; da morte do Coronel Ramiro Bastos; da separação de Gabriela do árabe Nacib; da chegada e partida de um cozinheiro francês; do retorno de Gabriela à casa de Nacib na condição de cozinheira e de um acontecimento visto pela primeira vez em Ilhéus: a condenação de um coronel do cacau por haver assassinado a esposa adúltera e o amante desta.
O livro de Jorge Amado, apesar da grande quantidade de páginas é de leitura fácil, prazerosa podendo ser apreciado por qualquer leitor, haja vista a liberdade existente para a degustação de variadas literaturas desde que despertem interesse. "A crônica de uma cidade do interior" pode também ser utilizada por estudiosos com fins de pesquisa, pois apresenta trechos históricos pertinetes à vida da década de 20 no interior que perpassa a cultura mantida pelos ternos de reis, de pastorinha, dos presépios, do costumes de "esquentar sol" na praça, de respeito aos idosos, das conversas gostosas no fim de tarde, das fofocas no pátio da igreja, das deliciosas palavras interioranas, enfim, da tradição população que não existe nas grandes cidades.
Então, reafirmando a premissa, o romance "Gabriela, cravo e canela" está a disposição de quem desejar saboreá-lo sendo Jorge Amado o mestre-cuca responsável por dar tanto sabor à obra.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Com direito de reclamar!


Quer saber...Tô extremamente chateada com uma situação trágica que aconteceu comigo!!!
Costumo passear pelas bibliotecas (duas: a da facu e a da minha cidade//a de Paula, de vez em quando...rsrs), garimpando livros interessantes ao primeiro contato. Foi deste jeito particular de escolher uma leitura que descobri muitos livros legais, marcantes, GOSTOSOS!

Dia desses na biblio da facu andava como quem não quer nada, sem uma procura determinada, tocando, folheando, provando, enfim, tendo um contato com os livros. Andei pela prateleira de Literatura Portuguesa, Brasileira (vi Clarice!) e Estrangeira e...achei o que queria, o que inconscientemente desejava! "O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA" de GABRIEL GARCIA MÁRQUEZ. Já havia lido dois títulos dele e amei a escrita meio fantasiosa, confusa e clara ao mesmo tempo sem cair na ficção tão fictícia (pelo menos para mim). Por isso, peguei e exemplar da prateleira e resolvi levar para ler em casa nos meus ócios adoráveis...
Comecei a devorá-lo com calma, receio de ter uma grande expectativa e depois me decepcionar. Lia antes de dormir (adoro o silêncio da madrugada! Para ler, então, maravilhoso!), na faculdade quando não tinh
a nada de interessante para fazer, na espera por algo, lia com gosto, prazer, pois não foi indicado por professores, não tinha que escrever nada sobre ele, não precisava falar com ninguém sobre e estava adorando lê-lo!
Mas, eis que uma trágica tragédia ( redundância proposital) nos aguardava...
Numa bela noite outonal esqueci de renovar a licença para permanecer com o livro. Na noite seguinte quando fui com este objetivo na biblioteca fui informada que estava em atraso e, portanto deveria devolvê-lo. É, tristeza! Porém, contudo, entretanto, DEVOLVI! Perguntei à funcionária se no outro dia poderia levá-lo novamente e ela respondeu "SIM"!
OBA! OBA! OBA!
Como fiquei na cidade onde a facu está instalada naquele dia para um compromisso na manhã seguinte, logo que saí do encontro resolvi passar na biblioteca para pegar o livro novamente. Qual surpresa a minha: NÃO ENCONTREI O LIVRO NA PRATELEIRA! Que chato! Alguém já deve ter pego emprestado! _ Pensei... NÃO!_ Fui conferir com a funcionária se estava emprestado...mais uma surpresa: NÃO ESTAVA! Então, ONDE ESTAVA?!
Procuramos no local onde deveria estar e NADA! Nas prateleiras seguintes e NADA! Voltei durante a noite e NADA! No outro dia e NADA! Insisti até ontem em investigar com os olhos outras seções da biblioteca na ESPERANÇA de encontrá-lo. Mas, NADA!!!
"Tristeza, por favor, vá embora! Minha alma que chora está vendo o meu fim![...] Fez do meu coração a sua moradia. Já é demais o meu penar. Quero voltar àquela vida de alegria. Quero de novo cantar".
Até tentei suprir a falta de "O AMOR NOS TEMPOS DO CÓ
LERA" com "O PAÍS DO CARNAVAL" de Jorge Amado (muito diferente da primeira leitura, mas Jorge me cativou com sua escrita em "GABRIELA, CRAVO E CANELA" que pensei...só pensei que iria esquecer do OUTRO), mas não adiantou...parei antes da metade! Quem sabe outra vez?! Ontem, perdi as ESPERANÇAS, mesmo depois de ver uma esperança (o inseto) em meu caminho! Então, novamente, busquei outro livro que me apaixonasse à primeira vista. E...ACHEI! Fiquei contente! Uma nova leitura (também muito diferente de Gabriel Garcia Márquez), contudo bem instigante. Fiquei curiosa e levei o livro "A GLORIOSA FAMÍLIA: O TEMPO DOS FLAMENGOS" de PEPETELA. Ainda estou degustando-o, quando terminar, talvez, escreva algo sobre ele...se der vontade! Se não der e você ficar curiosa(o) procure para ler e tire suas impressões!



Com todo direito de reclamar
Lindy.



sexta-feira, 2 de abril de 2010

Sem "um pingo" de vontade de escrever, pois para "chover" não é necessário vontade!


Escrevo...
Vontade de escrever não tenho
Assim escrevo
Sem vontade
Sem novidade
Sem saudade
Sem caridade
Sem maldade
Escrevo...
Escrever é ócio
Escrever é luz
Escrever é dor
Escrever é amor
Escrever é manifesto
Escrever é mistério (Clarice está aí para comprovar!)
Escrever é um profundo e intenso viver!
Vidas...
Escritas...
Se mesclam...confundem...uma é outra...a outra é uma...
Os silêncios são viver!
As palavras silenciosas edificam um viver!
Viver sem escrever...impossível...
Não se espante em meus silêncios edifico minha escrita...
Ou vida...